Eu estava andando na rua e a sapatão passou:
“- Quanto?”
“- Não atendo mulher.” – respondi e me joguei cabis´baixa.
Ela se aproximou lenta. Mas, não tão lenta ao ponto de que eu pudesse me esquivar. Fugir. Quando vi, já estava ao meu lado. Quase grudada em mim:
“- Quanto?”
E me lambeu.
Sussurrei: -“R$500”
E fui arrastada dali, meio que pelos cabelos e ou cintura. Não sei. Aquela guria era louca. Guria?! Mulher. Ela era louca...
Me puxou para entrada mais próxima com placa néon: o que não falta na Anhanguera é hotel. Motel. Quarto sem garagem alugado por hora? Não faltava.
Na entrada foi até gentil, me conduzindo. Pediu o quarto, á essa altura, me pegando pela mão, com todos os dedos.
ENTRELAÇADOS.
Eu derretia. Não me cabia mais fazer nada. Ela já mandava
E hoje sinto como se ela não estivesse morta. Relembrando-a assim: tão viva!
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