domingo, 5 de julho de 2009

Elle




Eu estava andando na rua e a sapatão passou:

“- Quanto?”

“- Não atendo mulher.” – respondi e me joguei cabis´baixa.

Ela se aproximou lenta. Mas, não tão lenta ao ponto de que eu pudesse me esquivar. Fugir. Quando vi, já estava ao meu lado. Quase grudada em mim:

“- Quanto?”

E me lambeu.

Sussurrei: -“R$500”

E fui arrastada dali, meio que pelos cabelos e ou cintura. Não sei. Aquela guria era louca. Guria?! Mulher. Ela era louca...

Me puxou para entrada mais próxima com placa néon: o que não falta na Anhanguera é hotel. Motel. Quarto sem garagem alugado por hora? Não faltava.

Na entrada foi até gentil, me conduzindo. Pediu o quarto, á essa altura, me pegando pela mão, com todos os dedos.

ENTRELAÇADOS.

Eu derretia. Não me cabia mais fazer nada. Ela já mandava em mim. Olhei tudo, o quanto pude. Pra ela, de costas, sua nuca – andando na frente me puxava pela escada – pro lugar, pra tudo. Ela andando, no último quarto de andar, notou o quanto me apertava, fez cara de susto e me soltou. Acho que viu minha cara de medo, meio dor, ou de angústia, ela tinha um anel. Sim, era aquilo que machucava. Riu sem graça, desceu três degraus e me puxou, pra baixo. Me agarrou por trás e foi me empurrando, escada acima enquanto me beijava. Mordia. Era meio bicho. Tosca.

E hoje sinto como se ela não estivesse morta. Relembrando-a assim: tão viva!

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